segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Anotações com Arte | Nara Leão


Edição especial 2008 / Fred Rossi | Pedro Sirotsky

Carlos Lyra, Fred Rossi, Roberto Menescal, Oswaldo Mendes, Luiz Carlos Miéle. Outono de 2007 Foto: Nelson Faria. 
50 Anos de Bossa Nova: O presidente Juscelino Kubitschek assiste desfile ao lado do vice João Goulart, do Ministro do Exército Henrique Lott e da primeira dama D. Sara 7 de Setembro, 1957 Brasília Foto: Antonio Nery
Bossa Nova não é um movimento, como se costuma dizer. É diferente do Tropicalismo, esse sim, um movimento que até manifesto tinha. Movimento é uma coisa premeditada enquanto que a Bossa Nova seria, melhor pensando, um surto cultural e inteiramente espontâneo surgido nos anos 50, durante uma época de grande desenvolvimento econômico e no governo de Juscelino Kubitschek – o Presidente  Bossa Nova. Esta época desenvolvimentista foi responsável por outros surtos culturais marcantes: entre os artísticos, pode se citar cinema novo, teatro de vanguarda (Arena,TBC,Oficina e Teatro dos 7), poesia concreta, literatura e artes plásticas. Entre os esportivos, campeonatos mundiais de futebol (1958 e 1962), basquete, Box, tênis, salto tríplice, tenis de mesa, pesca submarina etc... É digno de nota o titulo de Miss Universo concedido a gaucha Yeda Maria Vargas. Entre os industriais, o parque industrial de São Paulo, os automóveis JK, culminando com a construção de Brasília que revela, para o mundo, a arquitetura de Niemeyer, Lucio Costa e Burle-Marx.
Bossa Nova também não sofre, unicamente, influencia do jazz. Nunca conversa com Tom Jobim, chegamos a conclusão de que tínhamos exatamente as mesmas influencias do jazz West coast, dos grandes compositores populares norte americanos, do bolero mexicano e da canção francesa.   
Elis & Tom 1974 | Nem Sinatra Mereceu uma Dessas!
Tom Jobim jamais confessou, mas deve ter se arrependido e recusar aquela cantora um pouco estrábica e “muito caipira” para o seu gosto, quando dirigiu a gravação de Pobre menina rica de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes. Perdeu a chance de dar a Bossa Nova, que mal havia nascido, o luxo de ter o nome de Elis Regina registrado oficialmente na sua história. Se houve ou não arrependimento, Tom corrigiu a tempo o seu erro de avaliação, ao se trancar por quase três semanas com Elis, de 22 de fevereiro a 9 de março de 1974, no estúdio da MGM em Los Angeles, e gravar um dos melhores e mais importantes discos da musica brasileira, com arranjos de César Camargo Mariano. Elis & Tom também redime a historia da Bossa Nova da ausência da cantora que ainda hoje, três décadas depois de sua morte, se mantém como a melhor do País. O disco foi o presente que a gravadora Phonogran ofereceu a cantora para comemorar seus dez anos de carreira.
Ela Canta cada dia Melhor | 17/03/1945 – 19/01/1982
Em Porto Alegre, onde nasceu, já se ouvia falar dela desde que aos sete anos estreou no Clube do Guri, da radio Farroupilha, e depois assinou seu primeiro contato profissional para cantar no programa Maurício Sobrinho, na Radio Gaucha. Mas ninguém lhe deu atenção quando, em 1962, acompanhada pelo pai Romeu desembarcou no Beco das Garrafas, em Copacabana.
A gravadora Continental não sabia do brilhante que tinha nas mãos e queria transforma-la num arremedo da adolescente italiana Rita Pavoni, que vendia disco como água.
Elis contou, em entrevista ao suplemento Folhetim, da Folha de S. Paulo, em 1979, que sua mãe Ercília lia um romance de amor em que o casal se chamava Mister e Miss Elis quando ela nasce: E essa Miss Elis devia ser assim aquela mulher maravilhosa, que minha mãe gostaria de ter sido. Ela ficou faascinada com o nome. Aí meu pai foi me registrar: as tais horas, do dia 17 de março de 1945, nasceu uma criança do sexo feminino,que terá como nome... ele falou Elis.

Tamba Trio        
Quando um dos grupos mais longevos da Bossa Nova, o Tamba Trio, estreou na boate Bottle’s no Beco das Garrafas, em 19 de março de 1962, o pianista Luiz Eça já era um nome entre os músicos, com formação erudita na Austria e um respeitável currículo na noite carioca, onde começou na boate Plaza, entrando no lugar de Johnny Alf em um trio integrado por Ed Lincoln e Paulo Ney, que seriam substituídos por João Donato e Milton Banana, que depois formou seu próprio trio. Numa pausa das atividades do Tamba, entre 1977 e 1981, participou dos shows do grupo MPB-4. A indentidade indígena do grupo – tamba é nome de uma árvore – vem do instrumento de percussão com três tambores. 
Teatro Paramount  8 – 9 – 10 de Abril
No segundo semestre de 1964, os shows no Teatro Paramount deram a certeza de que havia em São Paulo um publico disposto a acolher a geração inquieta de músicos e compositores que já não cabia nos pequenos palcos da zona sul do Rio de Janeiro, onde a Bossa Nova se abrigava. O fino da bossa no dia 25 de maio de 1964, produzido pelo Centro acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, estavam Alaíde Costa, Zimbo Trio, Paulinho Nogueira, Ana Lúcia, Rosinha de Valença, Jorge Bem, Oscar Castro Neves, Wanda Sá e Nara Leão.
Noel Rosa | A modernidade de Vila Isabel
Não se vive impunemente menos de 27 anos, criando quase 300 musicas em menos de dez anos de carreira profissional. Não se o personagem for Noel de Medeiros Rosa. Pensar nas influencias que desaguaram na Bossa Nova sem citar a sua obra é impossível.
Claudete Soares | No Meio do Tiroteio | Maio de 1960
Pra quem foi batizada por Luiz Gonzaga de “Princesinha do Baião”, receber o convite de Sylvinha Telles para substitui-la numa temporada na boate Plaza, em Copacabana, ao lado de Baden Powell, João Donato, Luiz Eça e Milton Banana já não era pouca coisa. Ronaldo Boscoli a incluiu em A noite do amor, do sorriso e da flor, em maio de 1960, na Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro.
Maysa | Entre a Bossa e a Fossa
“C est la reine de la Bossa Nova”, reverenciou o jornal France Soir ao noticiar a estreia de Maysa no Olympia de Paris, em 1963. Os franceses certamente não estavam interessados na discussão que no Brasil até hoje põe em dúvida se a cantora poderia ser classificada como bossa nova. Para Jacques Brel e Sacha Distel, ídolos da canção francesa e amigos de Maysa, ela era a legitima representante daquela nova maneira de cantar o samba que encantava o mundo.
Antes de casar com André, da aristocracia família Matarazzo, a paulistana Maysa Figueira Monjardim ainda adolescente cantava e compunha ao piano (fez o samba Adeus quanto tinha 12 anos).
Ricardo Cravo Albin, em seu dicionário da Musica Popular Brasileira disponível na internet, considera Maysa a primeira divulgadora internacional da Bossa Nova, que cantou primeiro na Argentina e Uruguai e, depois nos palcos de Blue Angel em Nova York, do Cassino Estoril em Lisboa e no Olympia de Paris.

João Gilberto | Da Beira do Rio para o Mundo | 10.6.1931
Filho de Joviniano Domingos de Oliveira e Martinha do Prado, João Gilberto Pereira de Oliveira viveu em Juazeiro na Bahia, divisa com Pernambuco, até os 10 anos. Gostava de ficar horas e horas a beira do rio, ouvindo o coaxar dos sapos e vendo a luz, a claridade, os reflexos do sol na água. Tentava compreender aquilo tudo. Consegui sentir – compreender não compreendi. Mas aquilo ficou em mim e ainda hoje carrego comigo um bocado de todo aquele alumbramento, disse a Revista do Rádio em 1960. Aos 11 anos foi para um colégio interno em Aracaju, tocou na banda, voltou a Juazeiro em 1946 e, com violão que ganhou de presente do pai, formou um conjunto vocal Enamorados do Ritmo, que durou pouco. No ano seguinte estava em Salvador, de novo num colégio interno que abandonou para trabalhar na Rádio Sociedade da Bahia.
Elza Soares | Uma Estranha no Ninho
Quando a Bossa Nova nasceu em 1958, Elza Soares estava ganhando a vida, cantando em Buenos Aires, filha do operário Avelino Gomes e da lavadeira Rosária Maria da Conceição, Elza teve seu primeiro filho aos 12 anos. Nascida na favela de Vila Bonita, uma das primeiras do Rio de Janeiro, a vida não lhe veio de bandeja. Precisou correr atrás. Aos 1 anos decidiu defender algum no programa Calouros em desfile, que Ary Barroso apresentava na Rádio Tupi.
Quando subiu ao palco, com uma saia cheia de alfinetes e duas marias-chiquinhas no cabelo, o auditório caiu na gargalhada. Ary ficou só olhando aquela menina magra e sem graça.
O que você veio fazer aqui?
- Ué eu vim cantar.
E quem disse que você canta?
- Eu.
Mas, afinal, de que planeta você veio?
- Do planeta fome.
Aos 20 anos e mãe de cinco filhos, era empacotadora numa fabrica de sabão, quando conheceu Mercedes Batista, que a levou para o seu elenco de bailarinas e em cuja Companhia viajou para a Argentina em 1958. Ao voltar ao Rio no ano seguinte conseguiu contrato para cantar numa casa de Copacabana, o Texas Bar, onde conheceu Sylvinha Telles e Aloysio de Oliveira.
Garoto | O violão de gente humilde | 28.6.1915 – 3.5.1955
Paulinho da Viola esta entre alguns que colocam o violonista Garoto, nascido em São Paulo, como um dos precusores da Bossa Nova: “Eu me incluo nesse alguns”, disse Paulinho em entrevista a Fabiano Rampazzo de O Estado de S. Paulo em fevereiro de 2007. Era um exímio instrumentista a até hoje falta espaço para esse tipo de música. Mas não acho que Garoto seria mais conhecido se fosse carioca, não.

Teresa da Praia | Ministros sem Pasta | Julho de 1954
Se nos auditórios de rádio a disputa era entre Marlene e Emilinha Borba, num circulo pequeno e menos barulhento a plateia formada de músicos e cantores se dividia entre Dick Farney e Lúcio Alves. A gravação e o sucesso de Teresa da praia serviu para reunir “dois monstros sagrados” e consolidar a sua influencia. Dick Farney e Lúcio Alves, diz Ruy Castro, “tornaram clássico quase tudo que gravaram. Inspiraram seguidores sofisticados, abriram o caminho para a Bossa Nova, participaram dela como ministros sem pasta e, juntamente com ela, foram atropelados pelo processo. Na passagem dos anos 60 para 70, os dois viram seu mercado encolher dramaticamente. Mas nunca se prostituiram, nunca fizeram concessões a estilos em que não acreditaram. E pagaram por isto: morreram tristes, abandonados pelas gravadoras, afastados do público – Dick, em São Paulo, em 1987, aos 66 anos, Lucio, no Rio, em 1993, também aos 66 anos.
Caymmi 1964
Das suas muitas contribuições a Bossa Nova, uma tem a ver com a colocação no mercado dos novos artistas que estavam surgindo. Com prestigio na Odeon, Dorival convenceu o presidente da gravadora a trazer de volta para o Brasil em 1956 o Aloysio de Oliveira (1914 – 1995), cantor, compositor e ex-integrante do bando da lua, que foi para os Estados Unidos com Carmen Miranda nos idos de 1940 e por lá ficou.

João Donato | A Bossa Instrumental | 18.8.1934
João Donato de Oliveira Neto, antes de aprender acordeão e piano, tirava musica de pequenas flautas de bambu e panelas. Tinha 11 anos quando se mudou de Rio Branco, no Acre, para o Rio de Janeiro com a família e logo começou a tocar em festas escolares.
Em 2007 lançou dois CDs, “O piano de João Donato” e uma tarde com Bud Shank e Joao Donato com o saxofonista que atuou com o pianista Stan Kenton, seu ídolo.
O Fino da Bossa | A geração Paramount | 1964
Não por acaso Elis Regina estreou em São Paulo no teatro Paramount, no show boa bossa, no dia 31 de Agosto de 1964, apresentado pelo radialista Humberto Marçal, que ao lado de Walter Silva, foi um dos que abriram espaço para a Bossa Nova nas emissoras paulistas. Com produção de Solano Ribeiro, Arley Pereira e Teco, e organizado pelas moças da colônia sírio libanesa, o espetáculo beneficiente ajudou a firmar o Paramount como o templo não só da Bossa Nova, mas de toda a renovação musical que ela estimulou. Naquela noite Elis acabou com o baile, segundo Walter Silva, o Pica Pau apelido por conta do programa que fazia na Rádio Bandeirantes, O Pick-up do Pica Pau. Pick Up, é bom explicar, era sinônimo de vitrola, de toca-disco.
Boa bossa deu tão certo que Walter foi convidado pelos alunos da Escola Paulista de Medicina a produzir um outro show, cuja renda, depois das contas pagas, ajudaria na festa de formatura.
CPC DA UNE | A Classe Média Vai ao Povo | Setembro de 1961
Musica de classe média, a Bossa Nova enveredou pela política, até chegar as canções de protesto, conduzida por Carlinhos Lyra. E o Sérgio Ricardo, que não se reconhecia bossa nova, ele diz, referindo-se ao cantor, compositor e cineastam paulista do interior (Marília), que deixou as sofisticadas harmonias de Pernas e Folha de papel, e que falava de amor até nas canções de cunho social como A fábrica e Enquanto a tristeza não vem, para anunciar que o sertão vai virar mar no filme de Glauber Rocha Deus e o Diabo na terra do Sol.

Leny e a Influencia do Jazz | New York Times | Outubro de 1983
Aos quarenta anos, ela foi apresentada pela boate Blue Note, em outubro de 1983, como a Brazil’s n. 1 jazz Singer e o critico do jornal New York Times comparou a sua interpretação a agilidade jazzística de Ella Fitzgerald.

Roberto Menescal | Entre o Mar e a Bossa | 25.10.1937
De poucos se pode dizer que a Bossa Nova se confunde com a própria vida. Entre eles o mais notáveis é o capixaba Roberto Batalha Menescal, que garoto chegou ao Rio de Janeiro, adotou e foi adotado pela cidade, aos 17 anos já mandava ver seu violão como profissional, acompanhando a cantora Sylvinha Telles em shows pelo Brasil, Uruguai e Argentina.
“Eu tomei contato com a musica brasileira mesmo através do Patricio, ele que me mostrou as coisas bonitas. Eu era roqueiro”. Depois, aprendeu teoria cokm Guerra Peixe e Moacyr Santos, por recomendação da cantora Sylvinha Telles, enturmou-se com Carlos Lyra e juntos criaram uma academia de violão em Copacabana. Estava lá fazendo a Bossa Nova nascer e a embalou com O barquinho, em parceria com Ronaldo Boscoli, com quem dividia a mesma paixão pelo mar, tendo o mergulho e a pesca como seus esportes favoritos. Foi num fim de semana no mar, em Angra dos Reis, que eles fizeram O barquinho.
Ronaldo Bôscoli | Uma vocação de agitador | 27.10.1929 – 18.11.1994
Diante de Ronaldo Bôscoli a única atitude que não cabia era a indiferença. Nara Leão o expulsou da sua vida ao saber que ele, com quem estava de casamento marcado, aproveitou uma viagem a Buenos Aires para se envolver com Maysa. O parceiro Carlinhos Lyra rompeu com ele por antagonismo ideológico quando a Bossa Nova se dividiu entre esquerda e direita. O casamento com Elis Regina – ele com 38 anos, ela com 23 – durou cinco tumultuados anos. Enfim, Ronaldo Fernando Esquerdo Boscoli podia não ser uma flor de pessoa, mas o sobrinho-bisneto de Chiquinha Gonzaga esteve no olho do furacão que transformou a musica brasileira nos anos de 1950. Amigo e cunhado de Vinicius de Moraes (que se casou com a sua irmã Lila, apesar dos seus protestos iniciais), teria sido ele o primeiro a sugerir ao poeta o nome de Tom Jobim para fazer as musicas de Orfeu da Conceição, além de mexer no vocabulário da peça para adequa-lo a uma linguagem corrente, com gírias e expressões mais contemporâneas.

Cornegie Hall | E o Barco Não afundou | 21.11.1962
Para os críticos adversários, como o historiador José Ramos Tinhorão, o Bossa Nova at Carnegie Hall, na noite chuvosa de 21 de Novembro de 1962, foi a prova definitiva da submissão daqueles artistas a influencia do jazz. Um dos poucos que se contrapôs ao, que seja, movimento desde o começo, Tinhorão nem precisou viajar a Nova York, para escrever na revista O Cruzeiro que a “Bossa Nova desafinou nos EUA”.
Miúcha | Da Bossa Velha a Nova | 30.11.1937
No ambiente musical de casa do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e Maria Amélia, a filha Helísa Maria, a primeira dos sete filhos do casal, era quem arranhava o violão de codinome Vinicius, homenagem ao poeta, amigo da família. “Boa parte da adolescência, ela passou tentando imitar o repertorio e os trinados de Edith Piaf, querendo impressionar a mãe, que adorava a cantora. Miúcha tocava e cantava bossa-velha, lembra o irmão Chico que só se interessou pelo violão quando apareceu um tal João Gilberto.

Alaíde Costa | Um insuperável fio de voz | 8.12.1935
Foi João Gilberto quem primeiro percebeu a modernidade da voz elegante, suave e afiadíssima da carioca Alaide Costa Silveira Mondin Gomide e a colocou em contato com Carlinhos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli e todo o pessoal da Bossa Nova, em 1959. Timidez por timidez,a dela certamente era maior que a do João. E ela coemçou a frequentar as reuniões musicais no apartamento de Copacabana. Naquele ano, Alaíde e Sylvinha Telles foram as únicas cantoras profissionais chamadas para o 1º Festival de Samba-Session, que aconteceu em setembro na PUC – Pontificia Universidade Católica do Rio, e organizado pelo diretório acadêmico presidido por Cacá Diegues, que depois se casaria com Nara Leão.

Opinião | Esquerda Volver | 10.12.1964
Em 1964, com os militares no poder, o Brasil não era mais tão risonho e franco como nos tempos da euforia desenvolvimentista da segunda metade dos anos de 1950. E os rapazes da Bossa Nova já não se  contentavam em cantar “ó que linda namorada você poderia ser”. Eles se politizaram, somaram-se aos estudantes nas ruas e na UNE – União Nacional dos Estudantes, cantando “este é um país subdesenvolvido” (Carlos Lyra e Chico de Assis). A síntese desse engajamento político do pessoal da música, na trilha da turma do teatro, estreou em dezembro de 1964 no Teatro Arena.

Dulce Bené Nunes | Os anfitriões da Bossa Nova | Dezembro de 1959
Boate típica do Rio de Janeiro nos anos de 1950. Muita fumaça, ruído confuso de vozes. Câmara fecha sobre uma mesa. Um dos convivas se vira para is demais e, dedo nos lábios, os repreende: “Pssiiu! Bené Nunes!” Silencio. Camara corta para o palco onde Bené Nunes ataca ao piano um sucesso da época, Jalousie. A cena de um dos vários filmes de que participou diz bem do sucesso do pianista-galã e compositor carioca Benedito da Penha Nunes (1920-1997), autodidata, virtuose e, segundo o amigo Miéle, bom de briga – quando entrava em uma, era difícil tira-lo, mesmo que estivesse levando a maior surra, como quando enfrentou, sem saber, um alemão campeão de luta romana. O alemão só empurrava, não queria bater no Bené, porque acabaria com ele. Afinal, era um profissional. Bené só aceitou parar quando o adversário disse para todo mundo ouvir que desistia de enfrenta-lo. Para efeitos históricos oficiais, porém, Bené era um cavalheiro, um gentleman que se tornou protegido de presidente Juscelino Kubitschek, de quem ganhou um emprego de auditor fiscal e a preferência para tocar em festas e eventos no Palácio do Catete.
Em 1956, quando Bené se casou com Dulce, o apartamento do casal na Gávea se transformou em ponto de encontro da Bossa Nova e cenário, em dezembro de 1959, das fotos reunindo todo o elenco principal do movimento, com participação especial de Ary Barroso, para uma grande reportagem pautada pela revista O Cruzeiro, e que saiu na edição de fevereiro de 1960.
A Hebraica | Batismo | 1957
Quem batizou aquele grupo de rapazes de os Bossa Nova? Quem souber do seu paradeiro, favor informar. O fato é que a pessoa que deu nome ao que faziam na musica aqueles rapazes sumiu no tempo. Nem seu nome ninguém sabe. De vez em quando, Carlos Lyra, o  mais obstinado investigador do paradeiro desse personagem misterioso, recebe uma pista e vai atrás. Ele contesta até mesmo a versão publicada por Ruy Castro de que se trataria do jornalista Moisés Fuks, que na época trabalhava no jornal Ultima Hora: “O criador do nome Bossa Nova era diretor cultural da Hebraica, era um judeu baixinho, lourinho, com cabelo cortado a escovinha. O Moisés é grande e o conheço bem”, diz Carlinhos que ouviu do próprio Moisés a negativa de ter qualquer participação no batismo da Bossa Nova.

Tudo aconteceu em 1957, quando esse personagem misterioso, ligado ao Grupo Universitário Hebraico, resolveu promover uma noite de música na Sociedade hebraica que, na época ficava no Flamengo e só depois mudou para a sede em Laranjeiras. 

Anotações com Arte | Chico Buarque



Entre 2005/2006 a Journal divulgou a primeira edição do livro Agenda Anotações com Arte – Chico Buarque (Francisco Buarque de Hollanda), realização Fred Rossi Eventos e Produções Ltda CNPJ: 52.044.278/0001-64.
Partes do conteúdo: Garrincha no show da preliminar
Garrincha voltará a jogar no Maracanã hoje, atuando na ponta direita do time de veteranos, que incluem alguns que jogaram na Seleção Brasileira. Vai enfrentar uma equipe de artistas, na preliminar de Flamengo e Atlético. Na equipe dos artistas,  a grande atração será a presença de Chico Buarque de Hollanda no ataque, Paulinho da viola no meio de campo e Jair Rodrigues de quarto-zagueiro. Jogarão ainda Toquinho, Miltinho, Jorge Bem e estarão no banco Gonzaguinha, Ivan Lins, Fagner e Moraes Moreira.
“Nós estávamos um pouco desamparados em Roma. Eu não estava trabalhando muito, vivia um pouco na expectativa de voltar para o Brasil, e Garrincha estava lá fazendo alguns bicos como jogador, participava de algumas peladas porque ele gostava e precisava, era um dinheirinho que entrava. Foi uma convivência muito especial e diferente de qualquer outra que possa ter. Ele era um sucesso formidável e gostava muito daquilo, geralmente eram jogos em Campinas perto de Roma, com arquibancadas improvisadas e times amadores. Era impressionante a popularidade do Garrincha, lembra Chico, o motorista orgulhoso.
A gente saía de carro e eu levava ele para essas peladas. Era impressionante como, sete anos depois da Copa de 62, todo mundo ficava atrás: Garrincha! Garrincha! E eu era o chofer dele. Fiquei impressionado que Garrincha pudesse gostar de João Gilberto. Nós falávamos de tudo, não era só de futebol e tomando cerveja, tomando grapa. Ele bebia, e eu, não posso falar nada porque eu bebia junto. Mas ele estava muito bem de espírito nunca vi o Garrincha bêbado. Bebia bastante mas estava sempre alegre, não tinha aquela coisa depressiva do alcoolismo.  
25 de janeiro de 1910
Nasce, no Rio de Janeiro, Maria Amélia de Carvalho Cesário Alvim, filha de Francisco Cesário Alvim e de Maria do Carmo de Carvalho  Cesário Alvim.
“Minha mãe é que sempre se ocupava das coisas práticas”, Chico resume o papel desempenhado por Memélia na família. Embora alegre, baixinha, com jeito de Irmã caçula da gente, era ela quem tomava providencias, pingando um pouco de realismo no lado romântico de meu pai. Acho que conseguiu uma boa mistura. Muito católica, fez questão de criar os filhos com todos os requisitos: primeira comunhão, crisma, colégio de padre. Então a minha formação é toda católica apostólica romana. Rigorosa mesmo. E sou Fluminense por culpa da minha mãe. Quem me levava para futebol era minha mãe, meu pai não dava bola para futebol.
2 de fevereiro
Em carta desta data, presume-se de 1971, Chico discute a letra de Valsinha com o parceiro Vinicius de Moraes, que estava morando na Bahia. A música de 1970, período em que Chico viveu em Roma, já vinha sendo cantada por ele em shows.
Carnaval de 1998
Para comemorar seus 70 anos, a Mangueira vai para o Sambódromo cantando Chico Buarque, que participa do desfile. E divide o primeiro lugar com a Beija-Flor.
Quando o carnaval chegar
Em 1972 estréia como ator no filme de Cacá Diegues com esse titulo, em que o empresário (Hugo Carvana) de um grupo de cantores sem sucesso (Chico,Nara Leão e Maria Bethânia) consegue um contrato para que se apresentem em homenagem a um rei que chegará a cidade para o carnaval.
Fevereiro de 1978
Chico passa um mês em Havana, na sua primeira visita a Cuba, integrando o júri de teatro do prêmio Casa de las Américas. “Tudo começou com uma visita à sua casa do jornalista Fernando Morais, que dois anos antes estivera em Cuba e escreveu “A Ilha”, seu primeiro livro. “Para nós tudo era novidade”, lembra Chico. Naquele tempo, só se ia a Cuba exilado ou clandestino. O grupo era formado por Ignácio de Loyola Brandão, Antonio Callado, Fernando Morais e eu. Ao voltar, todos foram detidos no aeroporto pelo Dops – Departamento de Ordem Política e Social, para prestar depoimento e dizer o que fizeram em Cuba.
O Brasil tinha rompido relações diplomáticas com a ilha em 1964 e muitos brasileiros viviam lá como exilados políticos. Embora não estivesse ali como cantor e compositor, em Havana Chico entrou em contato com Pablo Milanés, Silvio Rodriguez e outros nomes da Nueva Trova.

O Grande Circo Místico
Março de 1983. O balé do teatro Guaíra de Curitiba estreia um dos seus espetáculos de maior sucesso, O grande Circo Místico, que consolida a parceria de Edu Lobo e Chico Buarque. No começo de suas carreiras sempre estiveram ligados ao teatro – Edu fez as músicas de Arena conta Zumbi quase na mesma época em que Chico compunha a trilha de Morte e vida Severina.
Marieta Severo como Teresinha em Opera do Malandro
Calabar é a história de Calabar contada, na verdade, pela sua mulher, sua viúva, que é a grande personagem da peça. Na opera do malandro a Teresinha é a personagem que dá a volta na história. Escrevendo para teatro e fazendo música para cinema tenho necessidade de me colocar na psicologia de personagens diferentes e, entre eles, mulheres.” Uma delas tem uma história real e dura – Angélica, música em homenagem a Zuzu Angel, morta em 1976. “Eu a conheci muito. Durante anos depois da morte do filho (Stuart, vitima da repressão política) ela não fez outra coisa senão se dedicar a denunciar os assassinos do filho, a reivindicar o direito de saber onde é que estava o corpo dele. Ela ia de porta em porta. Sabia das ameaças que pairavam sobre ela e tinha certeza que, se alguma coisa acontecesse, a culpa seria dos mesmos assassinos do filho, que ela citava nominalmente. Ela passava em casa quase semanalmente, mostrando os relatórios do trabalho que estava fazendo aqui e nos Estados Unidos – porque, afinal, o pai de Stuart era americano. Na manhã do dia em que aconteceu o acidente com Zuzu, ela esteve em casa e deixou para as minhas três filhas as camisetas que fazia.
20 de Março de 1970
Depois de um ano em Roma – “e com um Vinicius a menos” -  a vontade era voltar. Na Itália fez um pouco de tudo para viver. Lançando disco italiano, cantando na televisão e nos palcos possíveis, fazendo figuração em shows de Josephine Baker, escrevendo artigos para O Pasquim, uma fugida ou outra até Paris. Alegrias, além da filha Silvia nascida em Roma, os encontros com os amigos Toquinho e Vinicius de Moraes e com os brasileiros que passavam por lá.
Contra a vontade de voltar pesavam a situação política no Brasil e o risco que isso representava, até mesmo de ser preso logo ao desembarcar, como era rotina naqueles tempos. Mais uma vez o conselho de Vinicius. Se voltar, volte fazendo barulho. Para inibir a ação policial-militar. E assim se fez. Na manhã de 20 de março Chico e Marieta Severo desembarcaram no Galeão, cercados de camaras de televisão, jornalistas, fotógrafos. A estratégia previa ainda lançamento de novo disco, show na boate Sucata e especial na TV Globo.
Abril 2004 | Benjamim
Depois de uma pré-estréia em São Paulo, com a presença de Chico Buarque, é lançado nacionalmente o filme Benjamim de Monique Gardenberg, que teve estreia mundial em 2003 no Festival de Sundance. Com Paulo José no papel do velho e esquecido modelo publicitário Benjamim Zambraia, que acerta contas com a sua consciência, a versão do romance de Chico Buarque para o cinema é assinada pela diretora em parceria com Jorge Furtado e Glênio Póvoas.
A trilha sonora inclui Elvis Presley e Jacques Brel.
Embora vendido pela publicidade como uma história de amor, para Marcelo Coelho, da Folha de S.Paulo, trata-se de um filme político de ponta a ponta, que traduz nas vidas de seus personagens e em situações pessoais e concretas, um único e mesmo trauma, que foi a repressão durante o regime militar.
25 de abril de1966
Com música de Chico Buarque para o poema de João Cabral de Melo Neto, Morte e vida Severina estreia no IV Festival de Teatro Universitário de Nancy e conquista França.
O Espetáculo do TUCA – Teatro da Universidade Católica, que havia estreado em São Paulo em setembro de 1965, divide o primeiro prêmio com um grupo da Turquia.
Dia do Trabalho
Chico admite, quando tem o reconhecimento de um sindicato, como o da Construção Civil de Minas Gerais, em Belo Horizonte. “Um dia eles me chamaram e me eram um prêmio, por causa da música Construção.
Depois de Construção, Chico compôs Primeiro de Maio em 1977, homenagem ao Dia do Trabalhador.
Em 1977, nascia um novo movimento de trabalhadores em São Paulo, liderados em São Bernardo do Campo pelos metalúrgicos do sindicato presidido por um jovem líder, Luís Inácio Lula da Silva. A resistência a ditadura militar havia ganhado as ruas desde a mobilização provocada pela morte do jornalista Wladimir Herzog, nos porões da repressão, dois anos antes.
No ABC paulista a maior concentração operária da América Latina – as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema.
6 de maio de 1965      
Chega as lojas o primeiro disco de um certo Chico Buarque, lançado pela gravadora RGE. Um compacto com duas faixas “Pedro Pedreiro e sonho de um Carnaval”.
Dois anos depois Pedro Pedreiro inspirou a poeta e dramaturga Renata Pallotini a escrever uma peça de teatro Pedro Pedreiro, a peça estreou em 1968 no Festival de Teatro de Manizales, na Colombia, em espetáculo dirigido por silnei Siqueira ( o mesmo de Morte e vida Severina) com alunos da Escola de Comunicação de Artes (ECA) da Universidade de São Paulo.
10 de maio de 1989

Em turnê internacional que o levou de Portugal a Belgica, da Holanda a Venezuela, da Itália a Espanha, Chico desembarca na França onde grava ao vivo o seu show no Le Zenith, em Paris. Era um reencontro do cantor com a plateia de uma cidade que havia mais de vinte anos aplaudira Morte e vida Severina, no Teatro Odeon. Uma cidade que abrigou tantos exilados políticos brasileiros nos anos de 1960 e 1970. 

Vestígios da História do Brasil

Vila Lobos * Heitor - (1887) RJ * 1959 - Compositor erudito e regente, fundador da Academia brasileira de musica. 

Washington Luis Pereira de Sousa (1869 / RJ 1957 ) * Politico e historiador. Presidente da Republica de 1926 a 1930, quando foi deposto por uma junta militar. 

Max Weber * ( 1864 / Alemanha 1920) Sociologo e economista. Obras Economia e Sociedade, A Etica Protestante e o Espirito do Capitalismo. 

Distrito Federal - Conjunto urbano composto do Plano Piloto e de mais 18 regiões administrativas. Sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Santos * Elevado a vila em 1545 e a cidade em 1839. Porto mais bem aparelhado e movimentado do país. Industria: Alimenticia, de móveis e mineirais. Ponto forte Turismo. 

São Vicente - Em 1532 por Martim Afonso de Sousa. Inicio da expansão cafeeira na segunda metade do séc. XIX. Forte imigração: Portugueses, Italianos, Espanhóis, japoneses). 

São Paulo - Capital fundada em 1554 por iniciativa do Padre Manuel de Nóbrega, maior aglomeração urbana do Brasil, abriga a maior e mais diversificada parque Industrial da América Latina. 

Mais populosos: Guarulhos, Campinas, São Bernardo do Campo, Osasco, Santo André, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Sorocaba, Santos. 

Rio de Janeiro - Ex. capital do país e capital do RJ desde 1975 - fundada em 1565 por Estácio de Sá, ilhas do governador e Paquetá são pontos de interesse turistico. As origens remontam expedições do sec. XVI - centro administrativo federal de 1763 a 1960. 
Maior produtor de petroleo do país (bacia de campos), usina nuclear Angra I - em Angra dos Reis. 

Recife - Desenvolveu sobre ilhas e alagadiços, a partir de porto do séc. XVII . Importante pólo industrial do NE, turismo, expressivo acervo de arte sacra barroca. 

Maranhão - Povoamento iniciado pelos franceses em 1612 com a fundação de São Luis, ocupação luso brasileira a partir de 1644. 

Paraná - Londrina/Maringá/Ponta Grossa/Foz do Iguaçu/Cascavel/São José dos Pinhais/Colombo/Guarapiranga/Paranaguá/Toledo/
Industria: Agroindustria, papel e celulose. 
Rio que separa SP e MS, este ultimo PR, banha o Paraguai e Argentina, e o segundo da América do Sul. 

Santa Catarina - Estado da região SC. (Florianópolis) indústria alimentícia, vestuário, calçados, têxtil, mecânica, turismo no litoraL. Há segunda metade do séc. XIX, intensificou se a imigração européia: alemã e em menor escala, italiana.


Mato Grosso - Varzea Grande, Rondonopolis/Carceres/Sinop/Tangara da Serra/Barra dos Garças. 

Mato Grosso do Sul - Mineiração extraçáo de minério de ferro e manganês no maciço de Urucum. 


Manaus - Porto na margem esquerda do Rio Negro, surgiu como arraial no sec. XVII. Tornou se cidade em 1848 o crescimento que acompanhou o ciclo da borracha foi retomado com a criação da Zona Franca em 1967, local do primeiro teatro brasileiro - o teatro Amazonas, inaugurado em 1896. 

João Pessoa - Situada na margem direita do rio Sanhauá, afluente do Paraíba, fundada em 1585, com o nome de Nossa Senhora das Neves, e pouco depois com o de Filipéia ( em honra do rei Filipe II da Espanha - Filipe I de Portugal), a cidade foi tomada pelos holandeses em 1634 e passou a chamar se Frederikstadt. A denominação atual data de 1930 e é homenagem ao governador do Estado, assassinado em Recife. 

Ceará - Industria têxtil, calçados. Alimenticia metalurgica. O Ceará começou a ser ocupado em torno de 1610, com proposito de proteger a capitania contra os ataques de franceses, holandeses e ingleses. 


Salvador - Situado nas margens da baía de todos os Santos. Centro histórico e turistico (são notáveis o museu de arte Sacra, a Igreja do Bonfim, o Pelourinho). Fundada em 1549 por Tomé de Sousa, foi durante mais de 200 anos, sede do governo geral do Brasil. Conjunto arquitetônico e urbanistico tombado pelo Patrimônio Mundial em 1985. 
Bahia - Ponto forte Petróleo (Candeias, Polo Petroquímico de Camaçari, refinaria Landulfo Alves, em Mataripe) e gás natural no recôncavo e litoral norte. Sede administrativa da Colonia (1549 - 1763). 

Porto Seguro (BA) Agricultura - Cacau e Mandioca local onde a frota de Pedro A. Cabral fundou ao chegar ao Brasil. 

São Luis (MA) - fundada em 1612 pelos franceses, turismo crescente, o porto de Itaqui abriu as exportações dos minérios de Carajás para o mundo e deu novo impulso a exportação para o centro sul do país declarada patrimônio da humanidade pelo Conselho da Unesco.

Goiânia (GO) Cidade Planejada segundo traçado radiocêntrico e inaugurada em 1935, tem sua base econômica no setor terciário, apresenta alta taxa de crescimento demográfico, uma das maiores do País.


Brás Venceslau (1868 MG 1966). Vice presidente da Republica de 1910 a 1914 presidente (1914 - 1918), eleito como candidato de conciliação. 

Santos Dumont (1873, MG - 1932). Inventor do avião, após longa experiência de vôo em balões. Patrono da aeronáutica. Autor de Os meus balões, O que eu Vi: O que nós veremos.


Sabin Albert Bruce - (1906 - Polônia - 1993). Cientista naturalizado norte americano. Desenvolveu a vacina antipoliomelite - a vacina Sabin. 

Astúrias, Miguel Angel (1899, Guatemala 1974) Romancista e poeta. Obras: Lendas da Guatemala, O Senhor Presidente e etc. A Guatemala, oficialmente República da Guatemala (em castelhano: República de Guatemala), é um país da América Central, limitado a oeste e a norte pelo México, a leste pelo Belize, pelo Golfo das Honduras e pelas Honduras e a sul por El Salvador e pelo Oceano Pacífico. Sua capital é a Cidade da Guatemala, que também é seu maior e mais populoso centro urbano.
A Guatemala tem sua história marcada pela civilização maia, que habitou o território do país durante todo o período pós-clássico, até a conquista do Iucatã pelos espanhóis. Além da Guatemala, os maias viveram em Honduras, Belize, na parte sul do México e na parte oriental de El Salvador. Após sua independência da Espanha em 1821, a Guatemala tornou-se parte da Estados Unidos da América Central e, após a sua dissolução, enfrentou uma instabilidade política que caracterizou toda a região durante meados do século XIX. No início do século XX, a Guatemala se caracterizava por uma mistura de governos democráticos, bem como uma série de regimes ditatoriais, os quais eram frequentemente assistidos pelo United Fruit Company e o governo dos Estados Unidos. De 1960 a 1996, a Guatemala sofreu uma guerra civil travada entre o governo e militantes de esquerda. Após o ocorrido, o país experimentou um crescimento econômico e eleições democráticas.

Einstein (1879/Alemanha 1955) Fisico naturalizado norte americano. Autor de obras: Da teoria da relatividade.
Foi uma das grandes figuras da ciencia no séc. XX.


Goethe * (1749 - Alemanha - 1832) Romancista, Poeta e Dramaturgo.
Obra: Os sofrimentos do jovem Werther Fausto.


Pedro I (1798 Port - 1834) Primeiro Imperador do Brasil e 27 rei de Portugal, com o titulo de Pedro IV. Regente durante dois anos, até declarar o Brasil independente de Portugal em 7 de Setembro de 1822, enfrentou conflitos com antigos companheiros da luta pela independencia tendo abdicado, em favor do filho, em 7 de Abril de 1831.

Grito do Ipiranga - É o brado de Independência ou Morte. Com que o príncipe regente D. Pedro declarou a Independência politica do Brasil em 7 de Setembro de 1822, nas margens do riacho Ipiranga. 

Pedro II (1825, RJ - 1891). Segundo Imperador do Brasil, declarado de maior idade em 1840 aos 15 anos, quando assumiu a coroa, foi chefe de um governo operoso que incrementou o desenvolvimento industrial lutou pela extinção do tráfico negreiro e pelo fim da escravidão, com a proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, foi banido, embarcando para a Europa, onde morreu. 

Pedro Américo de Figueiredo e Melo (1843 PB - 1905) Pintor e desenhista. Obras: Grito do Ipiranga, Batalha de Avaí

Princesa Isabel - (1846, RJ - 1921). Filha de D. Pedro II - como regente do Brasil assinou o decreto de abolição da escravatura em 13 de Maio de 1888. 

Maquiavel, Nicolau (1469, Itália 1527) Político Historiador e comediógrafo. Obras: O Príncipe.

Jesus Cristo (c.6 A.C, Judéia - C 30 D.C) Fundador do cristianismo, que o considera filho de Deus. Sua vida e mensagem religiosa estão contidas no Novo Testamento.

Proclamação da Republica - Instauração do regime republicano no Brasil, a 15 de Novembro de 1889, e que seguiu a rebelião militar chefiada por Deodoro da Fonseca. Ele o presidia decreta a extinção da monarquia e o banimento de D. Pedro II e família.

Estado Novo - Regime de exceção (de 1937 / 1945) implantado por Getúlio Vargas após o golpe do Estado de 1937, em que fechou o Congresso Nacional e caracterizou se pela repressão política, pela aceleração do desenvolvimento econômico e adoção de medidas de caráter social.


Em Julho de 2007, pelo centésimo aniversário da instituição, o Imperial College separou se oficialmente do University of London, sendo que já atribuia DICs desde 2003. É considerado um dos membros do Golden Triangle que configurão a Universidade de Cambridge e a de Oxford. 
O grupo Klabin - Industrias de papel e celulose - é controlado pelas familias Klabin e Lafer - que são judias.

Mandela - 1918 Africa do Sul. Ativista político que foi eleito presidente da Africa do Sul em 1994 preso durante 27 anos, foi libertado em 1990. 

Eça de Queirós, José Maria D (1845, Port-1900). A sua mais famosa obra, a de romancista, principia com o crime do Padre Amaro (1876), livro que introduziu em Portugal o realismo. 
O Primo Basílio, Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires, A Cidade e as Serras etc.

Laguna. Ass- Anita Garibaldi Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi (Laguna, 30 de agosto de 1821 — Ravenna, Itália, 4 de agosto de 1849) foi a companheira do revolucionário Giuseppe Garibaldi, conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos".

Mao Tsé Tung (1893, China 1976). Político líder comunista e teórico do marxismo. Presidiu a República Popular da China. 

Dalí Salvador (1904, Espanha - 1989) Pintor surrealista. 

Chaplin (1889, Inglaterra 1977) Ator e cineasta. Criador do personagem Carlitos. 


Maomé - Fundador do Islamismo
unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciencia e Cultura.

Até que ponto?


Até que ponto isto é positivo para o desenvolvimento humanitário, principalmente relacionado as questões voltada a politica brasileira?
“Ironia”

Resumo extraído do livro: Mil e Uma Noites

Para a datação, este texto apresentará o ano ou século da Hégira, seguido do ano cristão. Como se sabe, a Hégira, ou migração do profeta de Meca para Medina, ocorreu no ano de 622 da era cristã e marca o inicio do calendário muçulmano. Para eventuais interessados, a fórmula de conversão de uma data para a outra é a seguinte, convencionando se “c” para o ano cristão e “h” para o ano islâmico: a) para encontrar o ano cristão:
C=H – (H – (sinal de diferente)33) + 622
B) Para encontrar o ano islâmico: H=C – 622 + [(c-622) – (sinal de diferente)32]


Saliente se o fato de que, com anterioridade ao árabe, não existiu em nenhum outro idioma qualquer referencia a um livro com o titulo Mil e Uma Noite. O critico Muhsin Mahdi, na introdução a sua edição critica desse livro (Leiden, Brill, 1984, p.p 26-28) pondera que toda remissão a supostas “fontes” ou originais persas ou sânscritos não passa de especulação sem respaldo material algum. Na cultura árabe é certo ter havido obras distintas carregando esse título ou assemelhado. Um resumo das teses sobre as fontes e origens do livro pode ser lido em Elisséef, Nikita. 


O Sentido das Coisas

Revista Veja | Lya Luft

Sempre procurei, tantas vezes em vão, encontrar o significado de tudo.
... Por que entre pessoas que se querem bem pode haver frieza ou até maldade, por que... lista infindável, ainda mais para quem tem um pouco de imaginação.
A cada momento reinventamos o mundo, a nós mesmos, nossos afetos para que seja tudo menos doloroso.
Escrevendo sobre a situação do Brasil um pequeno livro que deve aparecer em breve, observo ainda mais intensamente o que acontece, tanta coisa inacreditável mas real. Assim reflito quase constantemente sobre todas as loucuras, baixezas, perigos, sustos, desalentos – aqui e ali.
Nada é para sempre: as coisas más, as fases ruins, também hão de passar.
No cenário político, acusados reagem com ironias, ameaças, invenções: mas fizeram de nós um dos piores países do mundo, sobretudo em educação e segurança. Começamos a perceber o que se passa no nevoento território da política que fragilizou a economia, e é cenário de grave incompetência e irresponsabilidade.
A politica que fragilizou a economia, e é cenário de grave  incompetência e irresponsabilidade.
A política influenciou e dominou nossa existência nos últimos anos, com péssima gestão, péssimo planejamento, desorganização nas contas públicas, maquiagem do desastre que foi escondido de um povo mal informado e etc.
Espantoso: os desvios não eram efetuados por bandidos oficiais, mas por empresários que admitem, talvez forçados pelo medo, que, se não tivessem entrado no esquema de corrupção e pagado as irreais propinas, suas companhias teriam ficado de fora da roda dos mafiosos, prejudicando seus acionistas com veemência que de nada sabiam viviam em outro planeta.

Não saber passou a ser um triste refrão. 

A Conspiração dos imbecis
Revista Veja | Entrevista Umberto Eco  Eduardo Wolf, de Milão


O escritor diz que a internet dá voz a todo tipo de opinião desqualificada e que o jornalismo, tema de seu novo romance, deve atuar como um filtro para o que se lê na rede.
O castelo Sforzesco, em Milão, preserva tesouros da arte italiana, como a Pietá Rondanini, de Michelangelo. Um dos sóbrios edifícios residenciais em frente ao castelo abriga outro tesouro italiano:
Umberto Eco, filósofo, crítico literário e romancista traduzido em mais de quarenta idiomas. O autor de O Nome da Rosa, romance ambientado na Idade Média que vendeu mais de 30 milhões de exemplares, lançou neste ano Número Zero – que chega ao Brasil nesta semana, pela Record – um retrato crítico do jornalismo subordinado a interesses políticos. Na casa milanesa, onde conserva uma biblioteca de 30 000 livros, Eco (83 anos) recebeu a Veja para falar de jornalismo, internet, conspirações e literatura.
Foi um estrondo a sua declaração, em uma cerimônia na Universidade de Torino, de que a internet dá voz a uma multidão de imbecis.
O que o senhor achou da dimensão que o assunto tomou?
- Não estou falando ofensivamente quanto ao caráter das pessoas. O sujeito pode ser um excelente funcionário ou pai de família, mas ser um completo imbecil em diversos assuntos.
Com a internet e as redes sociais, o imbecil passa a opinar a respeito de temas que não entende.
É preciso filtrar, distinguir. Foi nesse sentido que defendi recentemente que os jornais, em vez de se tornarem vítimas da internet, repetindo o que circula na rede, deveriam dedicar espaço para a análise das informações que circulam nos sites, mostrando aos leitores o que é sério e o que é fraude.
Será que os jornais estão prontos para isso?
Isso é muito importante para os jovens, pois eles não tem aos 15, 16 anos, conhecimentos necessários para filtrar as informações a que tem acesso na rede. Assim como quem lê diversos jornais acaba aprendendo a distinguir abordagens distintas de cada um deles.
A crise do jornalismo começa nos anos 50, com a televisão. Depois da TV os jornais passaram a dizer, pela manhã, o que as pessoas já sabiam. Eles deveriam ter mudado – e não mudaram. Neste contexto, significaria reduzir o número de páginas, em vez disso, ampliaram o tamanho, sobretudo por razões de publicidade.
Os jornais exploram continuamente escândalos, como por exemplo, um assunto polemico envolvendo a pedofilia, Depois de certo tempo, o assunto começa a desaparecer, até que nenhum veículo tem mais nada a noticiar sobre o assunto. Os pedófilos deixaram de existir?
Certamente não, mas nenhum jornal pode insistir nas mesmas notícias por muito tempo.
Pode até ser divertido, enquanto tomo o café, ler mais detalhadamente uma matéria mais longa. Acredito que Hegel estava certo:

A leitura dos jornais de manhã é a oração do homem moderno. 

No livro, o fascismo de Mussolini é uma sombra sobre a história italiana do pós guerra. Qual é a cara atual do fascismo?


- O fascismo clássico, representado por Mussolini, desapareceu. A atitude política da Liga Norte, discriminatória e racista, é uma nova forma de fascismo. 

Trata se de uma questão de atitude política mais ampla do que a experiência histórica de Mussolini, e podemos encontra la em diferentes contextos históricos. Veja o Estado Islâmico, que eu chamo de o novo nazismo: querem aniquilar outras etnias, impor um credo, conquistar o mundo e etc. 

Entrevista com o ex presidente Fernando Henrique Cardoso


DEPOR UM PRESIDENTE ELEITO É UMA ARMA QUE A CONSTITUIÇÃO OFERECE AO CIDADÃO NAS DEMOCRACIAS. MAS ACIONÁ LA NUNCA É SIMPLES E AS CONSEQUENCIAS SÃO IMPREVISIVEIS

Por André Petry

Aos 84 anos, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso ainda é a voz mais lúcida do PSDB e da oposição. Na convenção tucana, falou da crise atual e disse que seu partido "não pode fugir da responsabilidade de dentro da lei. Mais que qualquer outro líder em atividade, Fernando Henrique Cardoso, que enfrentou a onda do "Fora FHC", sempre tratou o Impeachment com a distancia respeitosa com que se trata uma bomba atômica. Recentemente, ao lembrar sua contrariedade a deposição de Lula no auge do mensalão escreveu:  Derrubar um presidente eleito pode fazer mal para a formação da cultura democrática. 

O Brasil com três décadas de liberdade, está formando sua cultura democrática. O Impeachment de Dilma não é uma saída simples. No entanto há políticos tratando do assunto com uma leveza incompatível com a sua gravidade. 

O Solidariedade, legenda de oposição, chegou ao ridículo de recolher assinaturas para pedir a abertura de impeachment contra Dilma apresentando uma justificativa que não fazia nem sequer menção à expressão "crime de responsabilidade". 
Podem se ler na imprensa frias analises táticas sobre o impeachment: Se for curto, beneficiará Aécio Neves, se for mais demorado, bom para Geraldo Alckmin, mas, se for adotado o regime parlamentarista para tirar Dilma, melhor mesmo para José Serra. Se novas eleições forem convocadas logo depois da deposição de Dilma, não será bom para Lula. 

Em 1992, Fernando Collor caiu porque se comprovou um crime que corroeu seu apoio politico que resultou no impeachment. Agora, a oposição bate em todas as portas em busca de um álibe jurídico. Collor foi alvo de um raro e bem sucedido processo. Talvez venha ser o mesmo caso de Dilma. Mas o que haveria acontecido no Brasil na eventualidade de que Collor tivesse terminado seu mandato?!

Prever o futuro do pretérito é tão arriscado quanto prever o futuro. Mas não existe nenhuma evidencia de que a permanência de Collor ate o fim do mandato teria jogado o pais em um turbilhão de caos. 

Logo depois da derrota no ano passado, os tucanos buscavam um meio legal para depor a presidente. Pediram ao STF auditoria no sistema eleitoral por suspeita de fraude. O impeachment que se pede nas ruas é até aqui, expressão de mal humor e legítima decepção. Não é golpe nem dos tucanos, nem dos manifestantes. A própria Dilma passou o recibo de sua má situação na entrevista à Folha de S. Paulo. Mas suspeitas e impopularidade não são razões para a anulação de um mandato presidencial. 

Fonte: Revista Veja